Inscrições Seminário

Maio 20 e 21 de 2011 - Seminário: Revoluções - Uma política do sensível

20/05 (sexta-feira)

12h00 - 14h30

Cadastramento dos participantes

14h30 - 15h00

Abertura

15h00-16h15

Uma Flotilha de Filmes: o escritor, cineasta e partisan da TV Alexander Kluge
Klemens Gruber

16h15-17h00

Novas Formas de Expressão Artística do Pensamento Marxista
Alexander Kluge (videoconferência) e Klemens Gruber (mediação)

17h00-18h00

Forma da Ruptura: uma outra leitura da autonomia estética
Vladimir Safatle

18h00-18h40

Curta-metragem: Amor Cego - Conversa com Jean-Luc Godard (Blinde Liebe – Gespräch MIT Jena-Luc Godard, 2001, DVD, 24 minutos) de Alexander Kluge

18h40 – 19h00

Intervalo

19h00-20h00

O olhar do outro. "Politização da arte" e alteridade cultural em Sartre e Pasolini.
Eduardo Grüner

20h00-21h00

Sobre o Oriente Médio
Marilena Chaui

21/05 (sábado)

14h00 - 15h00

Por uma nova crítica da economia política
Bernard Stiegler

15h00-15h15

Apresentação da Obra de Michael Löwy
Emir Sader

15h15-16h00

Revoluções
Michael Löwy (videoconferência)

16h00-17h00

Uma revolução que aniquilasse a nossa música
Willy Corrêa de Oliveira

17h00-18h40

Revolução: quando a situação é catastrófica, mas não é grave
Slavoj Žižek

18h40-19h00

Balanço Final do Evento
Emir Sader

19h40

Lançamento dos Livros de Slavoj Žižek
Em Defesa das Causas Perdidas
Primeiro como Tragédia, Segundo como Farsa
(Boitempo Editorial)

20h00

Abertura da Exposição Revoluções

Por favor, após a confirmação de inscrição você deve comparecer no dia 20 de maio a partir das 12h00 no SESC-Pinheiros, Auditório Paulo Autran (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo-SP) para efetuar seu cadastramento.


Maio 20 e 21 de 2011 - Seminário: Revoluções - Uma política do sensível

20/05 (sexta-feira)

12h00 - 14h30

Cadastramento dos participantes

14h30 - 15h00

Abertura

15h00-16h15

Uma Flotilha de Filmes: o escritor, cineasta e partisan da TV Alexander Kluge
Klemens Gruber

16h15-17h00

Novas Formas de Expressão Artística do Pensamento Marxista
Alexander Kluge (videoconferência) e Klemens Gruber (mediação)

17h00-18h00

Forma da Ruptura: uma outra leitura da autonomia estética
Vladimir Safatle

18h00-18h40

Curta-metragem: Amor Cego - Conversa com Jean-Luc Godard (Blinde Liebe – Gespräch MIT Jena-Luc Godard, 2001, DVD, 24 minutos) de Alexander Kluge

18h40 – 19h00

Intervalo

19h00-20h00

O olhar do outro. "Politização da arte" e alteridade cultural em Sartre e Pasolini.
Eduardo Grüner

20h00-21h00

Sobre o Oriente Médio
Marilena Chaui

21/05 (sábado)

14h00 - 15h00

Por uma nova crítica da economia política
Bernard Stiegler

15h00-15h15

Apresentação da Obra de Michael Löwy
Emir Sader

15h15-16h00

Revoluções
Michael Löwy (videoconferência)

16h00-17h00

Uma revolução que aniquilasse a nossa música
Willy Corrêa de Oliveira

17h00-18h40

Revolução: quando a situação é catastrófica, mas não é grave
Slavoj Žižek

18h40-19h00

Balanço Final do Evento
Emir Sader

19h40

Lançamento dos Livros de Slavoj Žižek
Em Defesa das Causas Perdidas
Primeiro como Tragédia, Segundo como Farsa
(Boitempo Editorial)

20h00

Abertura da Exposição Revoluções

Por favor, após a confirmação de inscrição você deve comparecer no dia 20 de maio a partir das 12h00 no SESC-Pinheiros, Auditório Paulo Autran (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo-SP) para efetuar seu cadastramento.


O seminário trabalhará com a relação entre estética, política e história. Não no sentido estrito da propagação das posições de engajamento político dos artistas, mas no da produção de uma política do sensível (ou de uma "partilha do sensível", para usarmos a expressão cunhada pelo filósofo francês Jacques Rancière).

A ideia de uma política do sensível opera como uma abertura ética, presente em uma obra de arte, que rompe com os lugares-comuns do cotidiano, esvaziado pelo espetáculo dos meios de comunicação de massa. Ao recolher criticamente a tradição revolucionária esquecida, os artistas criam as condições que permitem a produção de novos sentidos comuns, ativos e críticos. Assim, as clássicas revoluções sociais, antes vistas como questões datadas, esvaziadas de sua efetividade política, ganham força novamente.


O seminário trabalhará com a relação entre estética, política e história. Não no sentido estrito da propagação das posições de engajamento político dos artistas, mas no da produção de uma política do sensível (ou de uma "partilha do sensível", para usarmos a expressão cunhada pelo filósofo francês Jacques Rancière).

A ideia de uma política do sensível opera como uma abertura ética, presente em uma obra de arte, que rompe com os lugares-comuns do cotidiano, esvaziado pelo espetáculo dos meios de comunicação de massa. Ao recolher criticamente a tradição revolucionária esquecida, os artistas criam as condições que permitem a produção de novos sentidos comuns, ativos e críticos. Assim, as clássicas revoluções sociais, antes vistas como questões datadas, esvaziadas de sua efetividade política, ganham força novamente.

Certificação

Os participantes que frequentarem os dois dias do seminário terão direito ao Certificado, emitido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Instituto de Tecnologia Social - ITS BRASIL, SESC-SP e Boitempo Editorial.

Emir Sader nasceu em São Paulo (SP), em 1943. Cientista político, formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual é professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. É secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso). Coordena a coleção Paulicéia, publicada pela Boitempo, e organizou (ao lado de Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile) a Latinoamericana – enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe (Boitempo), vencedora do 49º Prêmio Jabuti, na categoria Livro de Não-Ficção do Ano. Entre suas publicações pela Boitempo estão: Vingança da História, Contraversões - civilização ou barbárie na virada do século (em co-autoria com Frei Betto), Contragolpes: seleção de artigos da New Left Review e A Nova Toupeira: os caminhos da esquerda latino-americana.

Klemens Gruber nasceu em 1955, na cidade de Ried im Innkreis, na Áustria. É professor do Departamento de Teatro, Cinema e Estudos de Mídia na Universidade de Viena. Estudou na Itália por vários anos. Co-fundador da sociedade de trans-mídia Daedalus, tem publicações sobre a cultura da vanguarda, Dziga Vertov, Alexander Kluge e formalismo digital. Sua publicação mais recente é Die zerstreute Avantgarde ("A Vanguarda Dispersa"), de 2010. É diretor editorial do periódico Maske & Kothurn. O tema de seu projeto de pesquisa atual,   realizado com a Universidade de Nova York, é: "Questões de Textura - A ótica e o háptico na mídia".

Alexander Kluge nasceu em Halberstadt, Alemanha, em 14 de Fevereiro de 1932. Figura gigantesca no cenário cultural alemão, é considerado um dos grandes pensadores e críticos sociais da atualidade. Cineasta, escritor, romancista, diretor de TV e intelectual de esquerda, foi colaborador de T. W. Adorno e iniciou sua carreira cinematográfica como assistente de Fritz Lang. Poucos anos mais tarde, foi um dos autores do Manifesto de Oberhausen, que impulsionou o movimento do Novo Cinema (que revitalizou o cinema alemão e possibilitou o surgimento de diretores como R. W. Fassbinder, Werner Herzog e Wim Wenders). Há mais de 20 anos, enriquece a TV alemã com programas artístico-culturais, em uma espécie de "TV de autor", que se opõe radicalmente à banalização dos meios de comunicação em massa.

Eduardo Grüner é doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires (UBA), onde é professor titular de Sociologia e Antropologia da Arte (na Faculdade de Filosofia e Letras) e de Teoria Política (na Faculdade de Ciências Sociais). Foi professor convidado de pós-graduação em várias universidades argentinas e latino-americanas e, recentemente, conferencista no Museu Reina Sofía, em Madri, e na Universidade de Essex (Reino Unido). Já foi diretor do Conselho Acadêmico do IEALC (Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe), do qual é membro. Escreveu os livros Un Género Culpable (Homo Sapiens), Las Formas de la Espada (Colihue), El Sitio de la Mirada (Norma), El Fin de las Pequeñas Historias (Paidós), La Cosa Política (Paidós) e La Oscuridad y las Luces (Edhasa).

Marilena Chaui nasceu em São Paulo (SP), em 1941. Uma das mais prestigiadas intelectuais brasileiras, é filósofa e professora titular do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), com especialização em história da filosofia moderna, filosofia política e filosofia contemporânea. Tem ainda um pós-doutorado pela Biblioteca Nacional de Paris (BNP-França). Dentre os autores a que se dedicou destacam-se Espinosa, Marx e Merleau-Ponty, e sua pesquisa abordou temas como imanência, liberdade, necessidade, servidão,  beatitude e paixão. Tem presença atuante no debate político nacional – participou de amplas discussões acerca da universidade, da democracia e dos meios de comunicação. Vinculada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde os anos 80, teve marcante presença na construção da democracia no Brasil. Recebeu, entre outros prêmios, o título de doutora honoris causa pela Universidade de Paris e pela Universidade Nacional de Córdoba (Argentina).

Bernard Stiegler, filósofo e professor, é diretor do Instituto de Pesquisa e Inovação do Centro Georges Pompidou, professor associado da Universidade de Londres (Goldsmiths College), professor da Universidade de Tecnologia de Compiègne. Formado em filosofia pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), possui seu doutorado pela mesma instituição. Foi diretor de programação do Colégio Internacional de Filosofia da França, diretor adjunto geral do Instituto Nacional do Audiovisual (INAH), Diretor do Instituto de Pesquisa e Coordenação Acústica/Musical (IRCAM), e diretor do departamento de desenvolvimento cultural do Centro Georges Pompidou. Prof. Stiegler publicou numerosos livros e artigos sobre filosofia, tecnologia, digitalização, capitalismo, o problema da individuação no capitalismo de consumo, entre outros. Atualmente, Stiegler vem trabalhando sobre a idéia de uma economia de contribuição e é um dos fundadores do gruto Ars Industrialis http://arsindustrialis.org/.

Willy Corrêa de OliveiraNasci no Recife, em 1938. Parte do povo ainda usava as músicas que eles mesmos faziam, e algumas delas chegaram ainda vivas à minha infância. Mas a “midia” já se encontrava atuante: “responsável” por este setor das “atividades humanas” há tempos, à espreita. A escola, frequentei-a aos tropeções, até o fim. Tangencialmente. Na verdade não aprendi nada (ou quase nada) do que se ensinava naqueles antros: passando de ano, ano após ano, sem mais. Atento eu só estava para o destino (que me sussurrava: “não ligue para as ortografias deles, mutantes como vírus ultramicroscópicos, nem para as decorações ditas matemáticas, e sabedorias tais e afins. Querem de você é que você seja um perfilado cidadão da democracia.” (deles, bem entendido, fui compreendendo com o decurso do Tempo)). Dispus, pois, de bastante tempo para dedicar à música, aos livros anti-didáticos, às imagens de Goya (de princípio), o que me conferia a aparência de menino estudioso, evitando-me cobranças capciosas. Depois de A Noite Sonhamos vivi sob o signo de Chopin, fiel ao conselho do Destino: “Com ele, em frente!” Bem, depois, bem depois, vieram Beethoven, Bach (sem órgão, nem quartetos de cordas). Villa-Lobos era mais um orgulho pátrio, um mito, nome. E ademais me ocupava, então, com carrancudos livros de Teoria Musical, Harmonia, Orquestração. Inevitavelmente cheguei à Béla Bartók e ao século xx. Porém, por essa época descobri a Renascença e a Idade Média e fui ser moderno – como nunca antes. Ulteriormente Olivier Toni deu ordem e polimento aos meus arquivos, e, ele em conluio com o Destino, me aconselhou mui propriamente. Sei-o hoje, que estava pronto para dar ouvidos a Henri Pousseur. Por então James Joyce foi pedra de toque. E os cinemas de Godard, Fellini (8,5=∞), Antonioni. E eis que alguns anos depois, em seríssimo colóquio com o Destino, dizia-lhe “Como pode, eu – um comunista – escrever uma obra tão nada comunista como a que cultivo?” E o Destino aquiesceu: “Não pode!” Desisti de minhas malas abarrotadas e afastei-me – enfastiado – com a roupa do corpo, e a necessidade de melhor compreender a dialética, e de estudar (e avaliar) as artes dos povos (de antes da industrialização). Oito, nove anos depois, o estrondo das pedras desabando do muro de Berlim (sob as picaretas dos babilônios), e um filme de Andrei Tarkovski me trouxeram – de volta – uma incessante carência de arte*que não me atiçava há tempos, dadas as premências e alegrias dos trabalhos cotidianos.

Estes dias, eu mostrava ao Henrique P. Xavier umas coisas minhas. Avisava-o de não se apoquentar caso não lhe calhassem, posto que respondiam – sem dúvida – à questões que me construíram ao longo dos anos, em um mundo sem linguagem universalizante; a talvez que estivessem fadadas a servirem só a mim. Podem as exigências que me edificaram ser semelhantes, precisamente, àquelas de outros semelhantes de um continente de ensimesmados? Destino de quem nasceu no auge do capitalismo.

* No sentido antigo

São Paulo, 7 de julho de 2009

Michael Löwynasceu em 1938 na cidade de São Paulo (SP), filho de imigrantes judeus vindos de Viena. Sociólogo, licenciou-se em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP) em 1960 e doutorou-se na Sorbonne, em Paris, sob a orientação de Lucien Goldmann, em 1964. Vive na capital francesa desde 1969, onde é diretor emérito de pesquisas no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e professor na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). É autor de livros e artigos traduzidos em 25 línguas e, em 1994, foi  homenageado com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais. Entre suas publicações disponíveis no Brasil, destacam-se: A Teoria da Revolução no Jovem Marx (Vozes), Walter Benjamin, Aviso de Incêndio (Boitempo), Franz Kafka: Sonhador Insubmisso (Azougue), Ecologia e Socialismo (Cortez), Lucien Goldmann ou a Dialética da Totalidade (Boitempo) e é organizador do livro Revoluções (Boitempo).

Vladimir Safatle, filósofo e professor, é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), com mestrado (USP) e doutorado (Universidade Paris VIII) em Filosofia. Atualmente, é professor de Filosofia na USP, tendo sido professor visitante das universidades Paris VII e Paris VIII e responsável por um seminário no College International de Philosophie, também em Paris. Desenvolve pesquisas nas áreas de epistemologia da psicanálise, filosofia da música e  desdobramentos da tradição dialética hegeliana na filosofia do século XX. É um dos coordenadores da Sociedade Internacional de Psicanálise e Filosofia.

Slavoj Žižek nasceu em 1949, em Liubliana, capital da Eslovênia. Filósofo e psicanalista, é considerado um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Sociedade para a Psicanálise Teórica, de Liubliana, e é um dos diretores do Centro de Humanidades da Universidade de  Londres. Entre suas obras estão Bem-vindo ao Deserto do Real!, Às portas da Revolução (escritos de Lenin de 1917), A Visão em Paralaxe, Lacrimae Rerum (todos publicados pela Boitempo no Brasil).